Faço parte da sociedade calvinista

sábado, 9 de julho de 2011

    


                                   Um exemplo de pai
    
Em seu livro um “Um rosto para Deus?” Maria Clara Bingemer afirma:
 Assim como abundam os estudos sobre as conseqüências da privação do cuidado materno, não é dito o bastante sobre os efeitos devastadores da falta da figura paterna, que faz tanta ou mais vítimas que a primeira. Algumas enfermidades atuais, como anorexia, bulimia, dependência tóxica, que estão liquidando as últimas gerações de filhos, podem ser vinculadas diretamente – segundo os últimos estudos da psicologia – ao vazio da figura paterna; (...) estar privado do pai equivale a estar privado da espinha dorsal .1
   O propósito deste texto é elaborar a figura de um pai exemplar. Um pai capaz de dar aos seus filhos/as, cuidados necessários para o desenvolvimento moral, social e espiritual. Na busca de um paradigma. Buscamos no Deus da Bíblia traços importantes sobre a figura paterna. Depois de apresentarmos estes traços aplicaremos os mesmos a nossa realidade.
Traços paternos de Deus
 Amor – na Bíblia este substantivo expressa a essência do caráter de Deus (1Jo 4.16), “... é aquela parte da sua natureza que O move a doar-se a se mesmo, em termos de afeição, e a manifestar Seu interesse em atitudes de cuidado e auto-sacrifício pelo objeto do Seu amor”2                                                                                                                                                          Cuidado – Deus nas Escrituras se manifesta como pai atencioso com os seus filhos. Ele valoriza a vida do ser humano em sua completude. Satisfaz todas as necessidades físicas, morais, espirituais (Mt 6.25-34).
 Proteção – encontramos na Bíblia metáforas que revelam Deus como protetor dos seus Filhos. Dentre elas citaremos o salmo 91.4 que diz “De suas asas ele faz para ti um abrigo, e debaixo da sua plumagem te refugias”. O poeta neste salmo compara Deus a um pássaro que oferece amparo, conforto, e assistência para os seus filhos em todos os momentos.
Perdão – “... é dado por Deus a alguém que é totalmente indigno de recebê-lo. Este perdão não é parcial ou condicional; pelo contrário, ele é completo e imparcial, restaurando novamente o ser humano com Deus”. 3
Companheirismo – significa que Deus como pai esta com os seus filhos em todos os momentos. Não os abandona e nem se esquece (Is 49.15) dos seus, pelo contrário, Deus promete acompanhá-los e conduzi-los até o fim (Sl 23.4,6; 48.15).
Intimidade – reflete a amizade profunda do Divino com o ser humano ao ponto de Deus partilhar os seus segredos com o homem (Gn. 18.17; Tg 2.23).
Disciplina – No Grego do Novo Testamento esta palavra disciplina significa paideia. Strong define como: “todo o treino e educação infantil que diz respeito ao cultivo de mente e moralidade (...) instrução que aponta para o crescimento em virtude”4 O escritor aos Hebreus no capítulo 12. 5-11 ensina que Deus como pai disciplina, corrige os seus filhos. Sua disciplina visa à educação, moralidade e justiça.
Aplicação
Segundo a Bíblia os seres humanos foram feitos “imagem e semelhança” de Deus. Isto significa que nós humanos e de forma especial pais, temos traços ou qualidades em nossa natureza que caracterizam “imagem e semelhança de Deus”. Por exemplo, amor, bondade, espiritualidade, etc... Com isso acreditamos na possibilidade de usarmos estes traços acima citados e aplicá-los em nossas vidas.
Ser um pai exemplar é encarnar o amor de Deus na fala, no gesto e na ação. Cuidar dos filhos/as integralmente corpo, mente e espírito. Tornar-se um lugar de refugio e amparo em todos os momentos. Perdoar incondicionalmente, que a misericórdia e a longanimidade sempre precedam o juízo. O companheirismo seja elo para uma intimidade sadia e fecunda. As disciplinas e correções tenham como objetivo à educação, desenvolvimento e aprendizagem.

Notas:
1.       BINGEMER CLARA, Maria. Um rosto para Deus?São Paulo: Paulus, 2005, p.85.
2.       FILHO BORTOLLETO, Fernando (Org.). Dicionário Brasileiro de Teologia. São Paulo: ASTE, 2008, P.32,33.
3.       FILHO BORTOLLETO, Fernando (Org.), op.cit. p.780.
4.       JAMES, Strong. Dicionário bíblico. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002, p. 1558.

                                                                                                                  

segunda-feira, 21 de março de 2011

Calvino vida, obras e pensamentos

INTRODUÇÃO


   Bem sabemos que as reformas na Europa foram fundamentais para o surgimento e a consolidação do protestantismo atual. Muitos foram os homens que estiveram engajados pelo retorno da igreja ao evangelho. Dentre estes reformadores teremos como alvo o francês João Calvino. A apresentaremos sua biografia, obras  e alguns de seus pensamentos que consideramos importantes.  

  1.  João Calvino
1.1.  Sua vida e obras
       Segundo Earle Edwin Cairns poderíamos separar a vida de Calvino em dois grandes períodos. Até 1536, Calvino teria sido um estudante itinerante; de 1536 até sua morte em 1564, com exceção dos três anos de seu exílio em Estrasburgo, Calvino foi o grande líder de Genebra. 1  Ele nasceu em Noyon, cidade diocesana situada cerca de  95 Km ao nordeste de Paris2 em 10 de julho de 1509.3  Seu pai se chamava  Gérard Cauvin, que era assistente administrativo do bispo de Noyon. Sua mãe era Jeanne Cauvin que morreu quando Calvino tinha apenas 5 ou 6 anos. 4 Calvino teve educação cuidada e boa formação humanista. Passou um ano no Colégio de la Marche, em Paris, e quatro anos no Colégio Montaigu, donde saiu Mestre em artes. Depois deveria ter começado estudos de teologia, mas seu pai contrariando a primeira intenção, fez que estudasse direito. 5 Em 1532 recebeu seu diploma de direito na Universidade de Bourges.6 No final de sua vida , Calvino revelou sua “conversão inesperada”, que segundo estudiosos, teve lugar em algum momento dos anos de 1533-34. 7  Em Estrasburgo se casou com Idelette Bure em 1540. Casamento este que durou até 29 de março de 1549, quando sua esposa faleceu. 8 Calvino morreu em 27 de maio de 1564.9
       Várias são as obras de Calvino: Sobre a Clemência, de Sêneca; Comentários sobre o Antigo Testamento (Pentateuco, Josué, Salmos e Isaías) e todo Novo Testamento (com exceção de 2 e 3 João e Apocalipse); Sermões; Folhetos e Tratados  (sobre os reformadores radicais, católicos romanos, luteranos, reforma na igreja, santa ceia e predestinação); Cartas; Escritos Litúrgicos e Catequéticos e as Institutas que passou por vários processos de edições e revisões sendo que a de 1559 foi a final.10
1.2.  Pensamentos
   Segundo Alister McGrath “para se entender Calvino é necessário ler Calvino”11 por isso buscaremos o pensamento de Calvino nas Institutas sem, contudo deixar de lado os historiadores que serão posso dizer como “guias” nos conduzindo com segurança para a elaboração deste trabalho.
I. Conhecer Deus é tudo: No Capítulo I do primeiro livro de sua obra ele começa afirmando que o resumo de nossa sabedoria que deve ser sólida e verdadeira consiste em duas partes - Primeiro “o conhecimento de Deus”; segundo, “o conhecimento de nós mesmos”12. Sendo que o conhecimento de Deus é fundamental para podermos nos conhecer porque do contrário segundo Calvino “... o homem jamais chega a um conhecimento puro de si sem que, antes, contemple a face de Deus, e, desça para inspeção de si mesmo”. 13 Para Calvino Deus se torna conhecido como Criador “tanto na obra do mundo quanto na doutrina geral da Escritura”; e como Redentor “na imagem de Cristo”14
II. O pecado original: Quando a humanidade foi criada por Deus em sua forma original ela refletia bondade em todos os seus aspectos. Porém a queda do ser humano prejudicou os seus dons. 15 Que podemos dividir em dois grupos o primeiro são os sobrenaturais: a fé e a integridade. O segundo são os naturais: o intelecto e a vontade. 16
III. Jesus Cristo: Para Calvino Jesus só poderia ser nosso Mediador se “fosse verdadeiro Deus e verdadeiro homem”17. Calvino entendia que só por meio de Cristo o ser humano pode se aproximar de Deus. O Homem por mais incontaminado que fosse do pecado jamais poderia se achegar a Deus se não por Cristo, ou seja, nosso Mediador. Por isso Cristo como nosso Mediador veio pelo menos segundo Calvino com três propósitos estabelecidos por Deus que em Cristo seria matéria sólida da salvação. Jesus seria Profeta, Rei e Sacerdote. Como Profeta foi ungido com o Espirito Santo para pregar e testemunhar da graça de Deus18. Segundo Calvino a natureza do Reino Cristo é espiritual “uma vez daí se conclui o que Ele vale e confere para nós com toda a sua força e eternidade”. 19 Como nosso Sacerdote somente a Cristo coube esta honra “... uma vez que o sacrifício de sua morte apagou nossas faltas e satisfez com relação aos nossos pecados”. 20  
IV. Justificação pela fé: Calvino defendia que só seria justificado pela fé aquele que abandona sua justiça referenciada pelas obras, mas por meio da fé veste a justiça de Cristo de forma que na presença de Deus ele é visto como justo. Ele define que a justificação é forma como Deus nos recebe pela sua graça e nos justifica. Pela justificação somos perdoados e absolvidos pela justiça de Cristo. 21  
V. PREDESTINAÇÃO:
Chamamos predestinação ao decreto eterno de Deus pelo qual determinou o que quer fazer de cada um dos homens. Porque Ele não os cria com a mesma condição, mas antes ordena a uns para a vida eterna, e a outros, para a condenação perpétua. Portanto, segundo o fim para o qual o homem é criado, dizemos que está predestinado à vida ou à morte. 22
    Com base na exposição de Timothy George a doutrina da predestinação pode ser sintetizada em três palavras. A primeira é que a predestinação é absoluta, pois sua base é a vontade imutável de Deus. A predestinação em segundo lugar é particular, pois se destina apenas a indivíduos e não ao um conjunto de pessoas. Por último a predestinação é dupla significa que para manifestação da misericórdia de Deus alguns indivíduos foram destinados para a vida eterna, e outros para a manifestação da justiça de Deus à condenação eterna. 23
VI. Sacramentos: Sobre os sacramentos Calvino fala da importância de aprender o propósito desta instituição. Por isso ele trás duas definições sobre o que é um sacramento. Em primeiro lugar sacramento é um símbolo externo com o qual o Senhor tem como objetivo marcar em nossas consciências as promessas de sua bondade para conosco. Para Calvino os sacramentos abastece nossa fé em meio a nossa fraqueza e habilita nosso testemunho diante de Deus, dos anjos e entre os homens. Em segundo lugar o sacramento é uma declaração da graça de Deus para conosco ela é demonstrada de forma visível por meio de um recíproco testemunho diante de Deus. 24 Ele aponta o batismo como sacramento que testemunha nossa purificação e a eucaristia como nossa condição de salvo. 25 
VII. Igreja: Calvino define a igreja como invisível, pois só Deus a conhece, e a igreja visível, onde os cristãos são ordenados a honrar e manter comunhão com ela. 26 Para Calvino a igreja se torna conhecida de duas formas: Primeiro “onde a palavra de Deus é sinceramente pregada e ouvida”; segundo, onde “os sacramentos são administrados segundo a instituição de Cristo” e conclui “não podemos de modo algum duvidar de que ali está uma igreja de Deus”. 27
VIII. Estado: Calvino definia o governo civil em três partes: “o primeiro diz respeito ao magistrado, que é o guardião e defensor das leis; o segundo, à legislação mediante a qual o magistrado governa; o terceiro, diz respeito ao povo que deve ser governado pelas leis e obedecer ao magistrado” 28 Os magistrados tinha a responsabilidade de manter a tranquilidade, a ordem, a moralidade e a paz pública. 29 Para Calvino o poder civil era uma vocação, santa e legítima para Deus e considerada “a mais sagrada e honrosa de todas as vocações.”30 Por isso o magistrado “deve se empenhar na manutenção da honra divina”. 31

Considerações finais
   Embora nossa abordagem tenha sido mínima em relação à vida, obras e pensamentos de Calvino. No entanto podemos perceber nestas poucas linhas acima escritas que Calvino era um escritor fecundo, sua formação humanista lhe deu ferramentas fundamentais para sua vida intelectual principalmente em questões políticas e sociais e seu conhecimento bíblico lhe deu um espírito arguto na elaboração de seus pensamentos teológicos.

Notas:
  1. CAIRNS, Earle Edwin. O cristianismo através dos séculos: uma história da Igreja Cristã. 2º ed. São Paulo: Vida Nova, 2008. p. 278.
  2.  LINDBERG, Carter. As Reformas na Europa. São Leopoldo Sinodal/IEPG, 2001. p.298.
  3. GONZALEZ, Justo L. A era dos reformadores: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 1995. p. 107.
  4. GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1993. p. 168.
  5. LACOSTE, Jean-Yves. Dicionário crítico de teologia. São Paulo: Paulinas/Edições Loyola, 2004. p. 333.
  6. CAIRNS, op. cit., p.280.
  7. LINDBERG, op. cit. p. 300.
  8. WACHHOLZ, Wilhelm. História e teologia da Reforma: Introdução. São Leopoldo: Sinodal, 2010. p. 76.
  9. GONZALEZ, op. cit. p. 117.
  10. GEORGE, op. cit. p. 185-188.
  11. MCGRATH, Alister. A vida de Calvino. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 171.
  12. CALVINO, João. A Instituição da Religião Cristã. São Paulo: UNESP, 2008. v. 1. p. 37.
  13. CALVINO, op. cit. p. 38.
  14. CALVINO, op. cit. p. 40.
  15. MCGRATH, op. cit. p. 183.
  16. GONZALEZ, Justo L. Uma história do pensamento cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 147.
  17. CALVINO, op. cit. p. 441.
  18. CALVINO, op. cit. p. 469-470.
  19. CALVINO, op. cit. p. 471.
  20. CALVINO, op. cit. p. 476.
  21. CALVINO, João. A Instituição da Religião Cristã. São Paulo: UNESP, 2008. v. 2. p. 193.
  22. CALVINO, op. cit. p. 380.
  23. GEORGE, op. cit. p. 232.
  24. CALVINO, op. cit. p. 692.
  25. CALVINO, op. cit. p. 711.
  26. CALVINO, op. cit. p.474.
  27. CALVINO, loc. cit.
  28. CALVINO, op. cit. p.878.
  29. CALVINO, op. cit. p.884.
  30. CALVINO, op. cit. p.879.
  31. CALVINO, op. cit. p.883.


BIBLIOGRAFIA
CAIRNS, Earle Edwin. O cristianismo através dos séculos: uma história da Igreja Cristã. 2º ed. São Paulo: Vida Nova, 2008.
CALVINO, João. A Instituição da Religião Cristã. São Paulo: UNESP, 2008. v. 1.
CALVINO, João. A Instituição da Religião Cristã. São Paulo: UNESP, 2008. v. 2.
GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1993.
GONZALEZ, Justo L. A era dos reformadores: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 1995.
GONZALEZ, Justo L. Uma história do pensamento cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
LACOSTE, Jean-Yves. Dicionário crítico de teologia. São Paulo: Paulinas/Edições Loyola, 2004.
LINDBERG, Carter. As Reformas na Europa. São Leopoldo Sinodal/IEPG, 2001.
MCGRATH, Alister. A vida de Calvino. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
WACHHOLZ, Wilhelm. História e teologia da Reforma: Introdução. São Leopoldo: Sinodal, 2010.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Qual é o seu grupo?


      Postado por: Edson Pereira

      A teologia como ciência se destina a interpretar e dar provas concretas acerca da nossa fé, tendo como fundamento as Escrituras. Porém a Teologia Cristã deste o seu nascedouro com os Pais da Igreja, Idade média, Reforma Protestante e em nossos dias, embora tenha a Bíblia como seu princípio norteador, nela reside uma diversidade de interpretes que usam a Bíblia como sua fonte de interpretação teológica. E aqui eu quero dividir com base na História do Pensamento Cristão essa diversidade de interpretes em dois grupos.

     O primeiro grupo se destina a interpretar as Escrituras a partir da exegese, que extrai da Bíblia os princípios que darão norte a sua teologia. O segundo grupo é aqueles que interpretam as Escrituras a partir da eisegese, enxertam na Bíblia aquilo que eles pensam e com isso estabelecem sua teologia. Com isso acredito que estas duas maneiras de se fazer teologia tem sido determinante na construção teológica do pensamento cristão.

    Estes dois grupos estiveram deste o princípio caminhando sempre de lados opostos e com certeza nós fazemos parte de um destes dois grupos, com isso convido a todos para refletir em que grupo nós estamos inseridos. Que Deus nos ajude.

SOLUS CHRISTUS.





Análise dos Cânones de Nicéia

Postado por:Edson Pereira

INTRODUÇÃO
Nesta análise dos Cânones do Concílio de Nicéia destacaremos dois pontos que norteiam estes cânones. Primeiro o Clero exercendo sua autoridade. Segundo, a forma como o clero administrava as questões eclesiais. Nesta exposição procuramos sistematizar esta análise conforme os dois pontos acima citados.
1. O Clero
1.1. Sua autoridade
Encontramos nestes cânones a influência e autoridade do clero. Primeiro, na ordenação dos bispos. No cânon IV para um bispo ser escolhido era necessário o apoio de todos os bispos ou no mínimo três. Sendo que esta escolha deveria passar pela aprovação do metropolita. O metropolita tinha jurisdição sobre os outros bispos. Na sua província tinha a competência de todas as questões. Ele convocava e presidia os concílios. 1
Em segundo, o primado2 das jurisdições. O cânone VI diz que a autoridade do bispo de Alexandria repousaria nas regiões do Egito, Líbia e Pentápolis. Em Roma sobre a jurisdição do bispo romano. Assim também em Antioquia sobre a autoridade do seu bispo e como as demais regiões com os seus respectivos bispos.
Terceiro, conferir honras. No cânon VII o bispo de Aélia (Jerusalém) deveria ser honrado como predominava a tradição.
Por último, restrições clericais. Os eunucos que se castrassem não seriam aceitos, salvos aqueles que eram vítimas de enfermidades ou mutilados pelos bárbaros afirma o cânon I. No cânon II era proibida a ordenação de neófitos. O III cânon proibia a “coabitação com mulheres”. 3
2. Administração eclesiástica
2.1. Na realização dos sínodos – Para investigar os motivos relacionados à excomunhão foram estabelecidos dois sínodos: um seria realizado na quaresma e outro no outono conforme o V cânon.
2.2. Na admissão dos movimentos cristãos marginais – Cátaros, cânone VIII e os Paulianistas cânone XIX.
2.3. Disciplina
2.3.1. No clero – aqueles que foram ordenados sem uma prévia avaliação e considerados culpados de crime seria depostos conforme o IX cânone. O cânone X diz que os apóstatas deveriam ser demitidos. No cânone XVII alguém que praticasse usura ou recebesse 150% do que emprestou seria deposto.
2.3.2. Na igreja – Os cristãos que caíram sem coerção, espoliação, etc. Seriam genuflectores por doze anos de acordo com o cânon XI. Ex-soldados que retornaram as atividades militares eram excomungados por dez anos diz o XII cânon. No cânon XIV os catecúmenos que apostataram passariam três anos apenas como ouvintes.
2.4. Enfermos – Os enfermos deveriam receber a eucaristia cânone XIII.
2.5. Advertências – Contra os desertores cânones XV e XVI.4 Os diáconos no cânon XVIII foram advertidos a não exercerem as funções dos presbíteros, mas atuarem dentro de suas funções.
2.6. Dias solenes – Nos dias do Senhor e Pentecostes todas as orações deveriam ser realizadas em pé cânone XX.

Considerações finais
Em nossa análise dos vinte cânones de Nicéia percebemos a forte atuação do Clero na imposição de sua autoridade para ordenar, delegar poderes e restringir ações contrárias as suas regras. Depois a forma como eles administraram as necessidades eclesiais como os sínodos, admissão dos cristãos marginais, disciplina, enfermos e dias solenes.

Fontes: 1. BERARDINO, Angelo Di (Org.). Dicionário patrístico e de antigüidades cristãs. Tradução de Cristina Andrade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002, p. 104.2
2. LACOSTE, Jean-yves (Org.). Dicionário crítico de teologia. Tradução Paulo Meneses, et al. São Paulo: Paulinas : Edições Loyola, 2004, p. 1252.
3. Loc cit.
4. Loc cit.
5. http://www.e-cristianismo.com.br/pt/historia/documentos/50-
canones-do-concilio-de-niceia.

A família na terceira idade

Postado por:Edson Pereira
Texto: Salmo 71. 14-18

1. A velhice é inevitável

1.2. Para todos os seres humanos e animais;
1.3. “Vivemos envelhecendo e envelhecemos vivendo”;
1.4. Ela não é um fim em se mesma, mais uma nova etapa da vida;


2. Sinais da velhice
2.1. Mudanças no corpo
a) Mudanças na aparência;
b) Mudanças sensoriais;
c) Mudanças sistêmicas;
d) mudanças sexuais;

2.2. Mudanças na mente
a) Memória fraca;
b) Raciocínio lento;
c) Dificuldade em compreender idéias novas e de desenvolvê-las;

3. Imagens negativas sobre a velhice
3.1. Sobre sua capacidade física
a) Invalidez – para nada mais presta, que perdeu a validez;

3.2. Sobre sua capacidade mental
a) Equilíbrio – domínio próprio da vontade, emoções e etc. O idoso (a) é tratado como alguém que não tem mais capacidade para decidir as coisas da vida;
3.3. Sobre sua capacidade social
a) Rejeição – a velhice torna estas pessoas inabilitadas para o convívio social, são consideradas: desatualizadas, desengajadas e de difícil convívio;

4. A velhice e os “dois lados de sua moeda”
4.1. Ganhos
a) Genros, noras, netos e netas;
b) Sucessão;

4.2. Perdas
a) Não somos permanentes;
b) A morte se aproxima;

5. Um novo olhar sobre a velhice
5.1. A velhice é uma dádiva de Deus: “Só pode envelhecer quem recebeu de Deus a graça de viver”;
5.2. A velhice valoriza a vida;
5.3. A velhice revela nossa história;
5.4. A velhice é uma nova escola onde desenvolveremos novas habilidades;
5.5. A velhice é o triunfo daqueles que sobreviveram em meio às tempestades da vida;

6. Como enfrentar a velhice?

Salmo 71. 14-18

I. Esperando em todo tempo no Senhor v.14
a) Alegria
b) Dor
c) Fartura
d) Enfermidade
e) Morte

II. Em adoração profunda v.14/b, 15
a) Cada momento e cada instante a nossa adoração se torna mais intensa;
b) Pela sua graça que é sem medida v. 15 – para Justificar e para salvar

III. Lembrando dos feitos e atributos do senhor v. 16,17
a) Em todos os momentos v.16
b) Conforme a revelação do Senhor v. 17

IV. Cumprido sua missão v.18
a) Proclamar a glória do Senhor
b) Levar todos a se prostrarem diante do Rei da Glória



Referências:
1. COLINS, Gary R. Aconselhamento Cristão: edição século 21. São Paulo: Vida Nova, 2004.
2. HERTEL, Hildegart; HEIDEMANN, Enos. Vivemos envelhecendo, envelhecendo vivemos. 2. Ed. São Leopoldo, RS: Sinodal, 1994. (Crer e Viver; 10).

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Deus Procura Adoradores que O Adorem

EXPOSIÇÃO (Texto: João 4.20-30 )
Introdução

Nesta exposição sobre adoração queremos tratar como ela deve ser parte de um todo para a nossa vida e que Deus quando nos criou tinha esse propósito mente (Is 43.21). Em primeiro lugar abordaremos algumas definições do termo na Bíblia, em segundo lugar com base no texto do Evangelho de João no capítulo quatro que tem aquilo que quero denominar a chave bíblica da verdadeira adoração. Neste texto encontramos os seguintes pontos sobre a adoração:

1. Impedimentos a verdadeira adoração;
2. A verdadeira adoração;
3. Os efeitos da verdadeira adoração.

I. Definição.

i. Adorar significa render-se, servir, reverenciar.

II. Impedimentos a verdadeira oração (vs. 20-22)

i. Quando os lugares e não Deus se torna o objeto da nossa adoração (v.20/a);
ii. Quando o exterior excede o interior (Is 29.13, Mt 15.8-9);
iii. Quando somos ingratos e desinteressados em honrar a Deus (Lc 17.11-17);
iv. Quando nos conformamos com os moldes deste mundo (Rm 12.2);
v. Quando não confessamos nossos pecados (is 1.15, 52.2, 6.50);
vi. Quando é falsa e ignorante (v.22/a, At 17.22,23);
vii. Quando as boas intenções ferem os princípios de Deus (IISm 6.1-8, Nm 1.50-53);
viii. Quando o homem torna-se o centro das atenções ( At 12.21-23, Is 42. 8).

III. A verdadeira adoração (Vs 23-24)

i. É “em espírito” é adorar com o interior da alma, é adorar com a razão – quando o culto é oferecido de mente coração, culto inteligente; (Rm 12.1)
ii. É “em verdade” é adorar com sinceridade, adorar de acordo com a Palavra de Deus que revela sua verdade (Sl 51.6,17);
iii. É “de coração, alma, mente entendimento e forças (Mc 12.30)
a. Coração – é a sede da roda da existência humana, a fonte de todos os seus pensamentos, palavras e ações (Pv 4.23);
b. Alma – o reservatório de atividades emocionais do ser humano;
c. Mente – não é somente o centro da vida intelectual, mas a capacidade de pensar e refletir religiosamente;
d. Forças – implica em corpo físico desenvolver sua capacidade, talento e ação.

IV. Os efeitos da adoração (Vs 28-30)

i. Evangelização (Vs 28-30, At2.47)
ii. Segurança (Sl 91)
iii. Comunhão (At 2.42-47, 4.32)
iv. Santificação (VS 17-19, 28, 29, Is 6.5-7), quando confessamos nossos pecados e o deixamos, Cristo torna-se doce justamente na medida em que nosso pecado se torna amargo para nós;
v. Visão transformada (Hc 3.16-19)
vi. Preocupação com Glória de Deus (1Co 10.31).

Conclusão

É nossa oração que esta exposição venha trazer luz a este tema tão fundamental para igreja onde os cultos se tornaram um self service (onde o templo se tornou não um lugar de adoração, reverencia, gratidão e exposição fiel das Escrituras, mas um lugar onde as pessoas escolhem a “comida” a seu modo, visando somente à satisfação do seu ventre (Fl 3.19) e não no propósito estabelecido por Deus que é glorificá-LO e se deleitar Nele para sempre.

Que esta mensagem venha transformar a nossa visão, e que a cada dia sejamos verdadeiros adoradores.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009


Características do Culto Neo Pentecostal Versus Características do Culto Bíblico.

Introdução


Este assunto que estaremos tratando nas linhas a seguir será em minha opinião mais do que um trabalho para atender esta matéria que estamos estudando, mais em primeiro lugar: um tratado teológico, pois biblicamente falando o Deus Trino deve ser a centro e alvo do culto que prestamos em segundo lugar: apologético, pois o Apostolo Judas na sua missiva nos exorta: “Meus amigos muito queridos, eu estive planejando escrever-lhes alguns pensamentos a respeito da salvação que Deus nos deu, PÓREM AGORA VEJO QUE EM VEZ DISSO DEVO ESCREVER-LHES DE OUTRA COISA, INSTANDO COM VOCÊS PARA QUE DEFENDAM BRAVAMENTE A VERDADE QUE DEUS, UMA VEZ POR TODAS, ENTREGOU AO SEU POVO PARA CONSERVAR SEM MUDANÇA ATRAVÉS DOS ANOS” (Jd v.3, Bíblia viva, grifos meus). Como verdadeiros adoradores não podemos nos amoldar os cultos neo-pentecostais, que desrespeitam e desprezam o plano original de Deus para as suas criaturas e conseqüentemente a sua Igreja, procurando exaltar, mais a criatura do que o seu criador, a confissão de fé de Westminster de forma magistral e bíblica define o verdadeiro culto: “A luz da natureza mostra que há um Deus, que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo coração, de toda alma e de toda força; mas, o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo, e é tão limitado pela própria vontade revelada que ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de outro modo não prescrito nas escrituras” (Cap. 21: Do Culto religioso e do Domingo, Nº 1).


Apresentaremos a seguir as principais características do culto neo-pentecostal e as características do culto bíblico que por se mesmo refutará de modo infalível este culto descabido quem tem influenciado de um modo devastador até mesmo Igrejas Históricas e os cristão que não conhecem a doutrina bíblica, que diante de suas propostas que tem levados os homens para longe do seu propósito que é adorar a Deus em espírito e em verdade.


Edson Pereira da silva
Seminário Pentecostal do Nordeste
Santa Cruz do Capibaribe, Pernambuco
Novembro de 2008, Brasil.



CARACTERÍSTICAS DO CULTO NEO-PENTECOSTAL

1. O homem é o centro – (antropocentrismo) culto antropocêntrico onde se valoriza mais o homem do que o próprio Deus, nos cultos neo-pentecostais e até mesmo pentecostais e tradicionais, o homem é o foco, a causa e a razão e até mesmo “senhor” do culto, onde Deus torna-se o “servo”;


2. Oração do: diga; faça; receba; e conte – a fórmula é simples: 1º) ‘Diga a coisa. Positiva ou negativamente, tudo depende de você. De acordo com o que você disser receberá’. 2º) ‘Faça a coisa. Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória’. 3º) ‘Receba a coisa. Compete a você a conexão com o ‘dínamo do céu’. A fé é o pino de tomada-basta conectá-lo’. 4º) ‘ Conte a coisa a fim de que os outros também possam crer’. Este tipo oração atribui poder a palavras quando proferidas quer positiva ou negativamente resultando no alcance daqui-lo que foi proferido, E.W.Kenyon insiste que: ‘é a nossa confissão que nos governa’ ou seja, tudo que envolve ou venha acontecer em nossa vida será o resultado das palavras por nós proferidas;


3. A música do “cão junto” – seus cânticos falam mais em prosperidade, batalha espiritual, autopromoção etc. Eles se apresentam como se a Igreja e o culto fossem uma platéia para aplaudi-los. Eles se parecem mais animadores e manipuladores de auditórios seculares, mudanos; isto é, sem nada de louvor e adoração ao Deus Trino. O objetivo dos “cão juntos” é fidelizar os clientes tornando-os dependentes de suas músicas e satisfazer a clientela ou seja cantar aquilo que o cliente gosta de ouvir;


4. Representantes de Cristo – o catolicismo romano no Brasil, por sua vez influenciado pelas religiões afro-brasileiras, semeou misticismo e superstição durante séculos na alma nacional, enaltecendo milagres de santos, posse de relíquias, aparições de Cristo e de Maria, unção e santificação de objetos, água benta, entre muitos outros. O resultado disso é que muitas Igrejas evangélicas tem se utilizado de supostos objetos ou amuletos que na sua essência são considerados por eles “símbolos ou representantes” de Cristo com os mesmos “poderes milagrosos” que reside em Jesus;


5. O Papa que se cuide, pois a concorrência é grande – a idéia de que os pastores são mediadores entre Deus e os homens. No catolicismo, a igreja é mediadora entre Deus e os homens e através dos sacerdotes católicos transmite a graça divina. Em alguns casos, o papa é visto como “outro Cristo”, um canal de mediação entre o rebanho e Deus. Essa idéia de mediação humana passou para os evangélicos com poucas alterações. Até nas igrejas chamadas históricas os crentes brasileiros agem como se a oração do pastor fosse mais poderosa que a deles, colocando-o em pé de igualdade com Cristo como se a sua mediação fosse à causa de receber os favores divinos. Esse ranço católico vem sendo cada vez mais explorado por setores neo-pentecostais, a julgar por práticas já assimiladas como: “a oração dos 318 homens de Deus”, “a prece poderosa do bispo ou apostolo”, “a oração de poder da irmã fulana que é profeta” etc.


6. Chegou a hora do entretenimento – a Palavra de Deus fonte da vontade revelada de Deus para nossas vidas tem perdido espaço para novos métodos, tais como: dramatização, dança, comédia, variedades, grandiosas atrações, concertos populares e outras formas de entretenimento. Esses novos métodos são supostamente, mais “eficazes”, ou seja, atraem grandes multidões. E visto, que, para muitos, quantidade de pessoas nos cultos tornou-se o principal critério para avaliar o sucesso de uma igreja, aquilo que mais atrair público é aceito como bom, sem análise crítica. Além desses novos métodos quero arrolar outros que posso dizer são a moda do momento: “unção do cai cai”, “reflai”, “reteté” e etc.


Quero alistar agora as formas como a Palavra Deus tem sido pregada nestes movimentos: 1º. Superficial – não há um conteúdo bíblico, pelo contrário suas mensagens são extraídas muitas vezes do texto bíblico sem bases exegéticas e hermenêuticas, mais seus objetivos é apresentar aquilo que os seus clientes desejam como disse John F.Macarthur Jr. “Infelizmente, pregadores com mensagens que satisfazem as coceiras nos ouvidos são abundantes em nossos dias. Em épocas de fé instável, de ceticismo e de mera especulação curiosa em relação aos aspectos espirituais, mestres de todo tipo proliferam, tal como moscas da praga no Egito. A demanda gera suprimento. Os ouvintes convidam e moldam seus próprios pegadores. Se as pessoas desejam um bezerro para adorar, o ministro ‘que fabrica bezerros’ logo é encontrado”; 2º. Breve – para estes pregadores mensagens muito longas cansam, infelizmente em nossos dias tolera-se a má doutrina, a profecia sem base bíblica, o movimento chamado do “Espírito” sem fundamento na palavra, revelações, manifestações dos dons fora do contexto bíblico, porém, um sermão mais longo, esse não, pois cansa; 3º. Emoção é a prioridade – sopros, gemidos, gritos, e sons no microfone. Muitos cristãos não analisam o teor da mensagem só porque o pregador profetiza, fala em línguas e outros movimentos estranhos, acreditam que tudo aquilo é o mover do “Espírito”.


Vejamos o pensamento do príncipe dos pregadores sobre esse assunto: “A apatia está por toda a parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto”, (Charles Haddon Spurgeon).


CARACTERÍSTICAS DO CULTO BÍBLICO

1. Deus é o centro – (Teocêntrico) culto teocêntrico é o culto onde Deus é centro. Ele é o foco e o fundamento do nosso culto. Deus deve ser adorado por sua criação Sl 148.1-14, pelo seu povo Sl 95.6-7, pois Ele tem direito sobre a sua Criação Sl 95.6, Sl 100.3, e direito sobre o seu povo Sl 100.3. Deus está à procura de verdadeiros adoradores Jo 4.23 que O adorem, da forma revelada na sua Palavra. O culto Teocêntrico reconhece que Deus, é a origem, a condução e a realização de todas as coisas que estão relacionadas com a nossa vida, salvação e destino eterno Rm 11.36. Portanto adorar a Deus é mais do que levantar as mãos, é mais do que às glorias e aleluias pronunciadas de forma altissonante, é mais do que ir ao culto formalmente ou rotineiramente, é mais que cantar levando a multidão ao êxtase, é mais que as nossas liturgias denominacionais, adorar a Deus é mais... Muito mais... Que tudo isso... , adorar a Deus É UM ESTILO DE VIDA.


2. A oração – a oração é uma adoração que inclui todas as atitudes do espírito em sua aproximação com Deus. O crente cristão adora, confessa, louva e o suplica em oração. Essa, é a mais alta atividade da qual o espírito humano é capaz, também pode ser considerada como comunhão com Deus, se a ênfase devida for posta sobre a iniciativa divina. A doutrina da oração destaca o caráter de Deus, a necessidade de o indivíduo achar-se em relação de salvação ou de aliança com ele, e a necessidade de entrar plenamente em todos os privilégios e obrigações dessa relação com Deus. Vejamos aquilo que quero chamar de conjunto ou todos os elementos constituintes da oração:
→ Adoração – a palavra adoração engloba um conceito vital no que se refere á oração. A ela estão associados termos como “reverência”, “temor do Senhor”, e “veneração”. A adoração é uma demonstração de grande amor, devoção e respeito para com Deus;
→ Comunicação – embora as palavras “comunicar” e “comunicação” não sejam usadas nas escrituras para descrever a oração, a idéia é inerente. A oração pressupõe alguma forma de comunicação, seja esta unilateral ou recíproca. Podemos definir esta forma de oração comunicação sobre o prisma de:1º) pessoas falando com Deus; 2º) pessoas e Deus em diálogo; 3º) Deus falando com pessoas em circunstâncias que assim exijam, principalmente quando elas se inclinam por ouvir a sua voz;
→ Comunhão – indica companheirismo e identificação pessoal, afinidade, podendo ser entendida como uma mescla de personalidades numa bendita unidade, como trançar fios para formar uma única corda, como nível de oração, ultrapassa a comunicação pura e simples. A comunhão sugere uma intimidade exclusiva e fora do comum, como por exemplo, o envolvimento de Abraão com Deus por causa de Sodoma e Gomorra (Gn 18.17, 23-23);
→ Confissão – é simplesmente o reconhecimento de um fato acerca de si próprio ou de outrem. Assim, ela tanto pode ser o desvendar dos pecados pessoais, num ato de contrição (o reconhecimento da nossa miséria e falibilidade), como uma afirmação da grandeza e bondade de Deus (o reconhecimento da santidade e perfeição divinas);
→ Contrição – é o ato de alguém se lamentar e realmente entristecer-se pelos próprios pecados ou delitos;
→ Rogo – significa “pleitear” ou “pedir com urgência, especialmente a fim de persuadir”;
→ Intercessão – Neste nosso estudo sobre oração compreendemos que a “intercessão” representa “o ato de uma ou mais pessoas, humanas ou divinas, que fazem intercessão a Deus em favos de outrem”;
→ Meditação – meditar significa dirigir os pensamentos para alguma coisa, refletir ou ponderar sobre ela neste estudo vê que ela significa “ensaiar e ponderar na mente visando a um mais completo entendimento, assimilação e aplicação da verdade”;
→ Petição – é um “pedido intenso”, uma “solicitação” ou uma “requisição”;
→ Orando no Espírito – Implica igualmente numa concessão do Espírito Santo com o espírito humano, pela qual se passa a falar numa língua desconhecida;
→ Submissão – A submissão não é tanto um meio quanto condição para a oração eficaz. O cristão submisso aceita humildemente a autoridade e o senhorio daquEle a quem ora;
→ Súplica – é o ato de fazer humildes e intensos rogos pedindo favor, especialmente a Deus;
→ Ação de Graças – é um reconhecimento público ou celebração da bondade divina, uma expressão de gratidão;
→ Dores – é aquela intensa dedicação á oração que chega a produzir agonia e intensa dor interior em prol de uma causa espiritual, principalmente o nascimento e desenvolvimento de almas e ministérios no Reino de Deus (Gl 4.19);
→ Veneração – é a reverencia estendida a um ser sobrenatural, é também o ato de expressar essa reverência, admiração ou devoção no nosso caso a Deus.


3. O verdadeiro louvor – é a forma de reconhecer, agradecer e proclamar que Deus é digno de toda honra, Glória e louvor. Posso destacar três pontos que caracterizam o verdadeiro louvor, em minha opinião são: em primeiro lugar, o reconhecimento, em Romanos 11.33-36 Paulo louva a Deus reconhecendo a sua sabedoria, conhecimento, os seus planos que muitas vezes desconhecemos e achamos estranha a forma de Deus agir no seu conselho, o Apostolo reconhece que somos incapazes de reivindicar alguma coisa de Deus, “pois Dele, por meio Dele e para Ele são todas as coisas” e conclui sua doxologia dizendo “gloria, pois a Ele eternamente amem”. Em segundo lugar gratidão, devemos sempre agradecer a Deus pelo seu amor, favor, misericórdia, perdão, pela nossa salvação, regeneração, justificação, santificação e pela garantia de um dia morarmos eternamente com Ele no céu, graças ao seu amor salvador demonstrado e realizado através da morte vicária de Cristo na cruz do calvário.
E por último, proclamar, acredito que esta proclamação pode ser realizada através do louvor e de forma especial quando esta apresenta os atributos de Deus, que revelam e mostram o caráter Santo e maravilhoso de Deus.


4. Comunhão – A ceia do Senhor - Junto com o serviço da palavra, a primeira igreja da história perseverava na comunhão (At.2:42). Lucas explica algo mais a respeito desta comunhão nos versos subseqüentes. Os crentes ficavam juntos isto indica que estavam juntos como família de Deus, isto é, regularmente, e tinham tudo em comum. Marshall sugere que “não seria surpreendente... que pelo menos outro grupo contemporâneo judaico, a seita de Cunrã, adotasse este modo de vida.” A adoração genuína conduz-nos à lembrança de que não somos de nós mesmos. Fomos comprados por preço infinitamente alto. Conseqüentemente, somos escravos de Deus e dos membros do Seu Corpo. Ações de graça pelo sacrifício do Filho de Deus incitam os filhos beneficiados a indagar como se desincumbir da obrigação imposta. Que presente digno devemos trazer para o altar cristão?
O pano de fundo da eucaristia cristã descobre-se na refeição da Páscoa. Esta celebração consistia de duas partes: primeira, “enquanto comiam”, e segunda, “depois de cear” (I Cor.11:24). O que Jesus insistiu originalmente era repetido como duas partes de uma refeição maior - ágape ou “festa de amor”, com a intenção de beneficiar os cristãos mais carentes da igreja. Esta refeição, que substituiu a Páscoa dos judeus, era tomada diária ou semanalmente. Percebe-se pela leitura de I Cor. 11:17-22, que esta refeição era a “ Ceia do Senhor”, que reunia todos os membros da família de Deus. Além de relembrar a morte de Jesus e a inauguração da Nova aliança, a Ceia confirmava, de maneira inconfundível, que todos os participantes tinham uma vida em comum. Ricos e pobres, livres e escravos, todos se comprometiam diante de Deus a ter e manter uma responsabilidade mútua, uns pêlos outros.
O caráter dessa refeição não se evidencia somente numa dramatização do sacrifício único do Filho de Deus pêlos nossos pecados, mas era também uma demonstração da adoração que tem implicações horizontais. Daí, o veemente protesto de Paulo, em Corinto, diante da negação na prática da comunhão que a ceia devia demonstrar. “... não é a ceia do Senhor que comeis. Porque ao comerdes, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia” (I Cor. 11:20). Agindo assim, profanavam o Corpo de Cristo formado pela morte e ressurreição. Comiam e bebiam juízo para si.
Os cristãos que comem juntos no culto são integrados num corpo comparável ao corpo humano. Uma vida ou personalidade ocupa a unidade física humana, de tal forma que nenhuma parte pode se desligar sem prejuízo para as outras, nem podem desprezar uma à outra, nem devem ter inveja.


5. Pregação da palavra – a pregação da palavra deve ser Cristocêntrica até porque a Bíblia do Genesis (Gn 3.15), ao Apocalipse (Ap 22.14) tem como tema a redenção, sendo que esta redenção foi realizada por Cristo quando “deu a sua vida em resgate de muitos” (Mt 20.28), em segundo lugar a Bíblia deve ser pregada e em ensinada com uma hermenêutica e exegese sadia, onde a preocupação que deve nortear o pregador deve ser interpretar de forma clara, simples, objetiva, e como resultado a edificação dos crentes conforme a passagem bíblica exposta.

CONCLUSÃO


Estamos vivenciando uma época de falta de identidade cristã, onde os marcos antigos, ensinados, pregados, e proclamados, pelos Profetas do antigo Testamento, e Cristo e Os Apóstolos do Novo Testamento são cada dia mais esquecidos, desprezados e substituídos pelo “novo evangelho”, onde o individualismo e o egocentrismo são marcas registradas e por incrível que pareça, é que, este evangelho “fofo” sem vida, sem graça, sem sal, sem luz, sem reflexão e renuncia tem sido buscado e desejado de muitos que querem ouvir apenas aquilo que gostam e vão em busca de Deus não para adorá-LO, mais para satisfazerem os desejos egoístas da carne.


Vejamos a opinião de Charles Haddon Spurgeon sobre esse tipo de “evangelho” ele diz: “Será que um homem que ama o seu senhor estaria disposto a ver Jesus vestindo uma coroa de louros? Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? Não seja tão fútil em sua imaginação. Avalie o preço; e, se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire dele o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”.


Em nosso desejo de sermos fiéis a Palavra de Deus, procuramos através deste trabalho que consideramos apologético mostrar as características descabidas e blasfemas que caracteriza o culto neo-pentecostal e por último apresentamos algumas características do culto bíblico que nos mostram como devemos cultuar a Deus.

Sola Scriptura

BIBLIOGRAFIA
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2. Brandt, Robert L.; Bicket, Zenas J. – O Espírito nos Ajuda a Orar / 1 ed. – Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1996, pp. 22-26, 28-35.


3. Gilberto, Antonio Pr. – Inovações Doutrinárias e Modismos Antibíblicos no Movimento Pentecostal, p.4.


4. Júnior, Gerson – Identificando as Implicações da Pós-modernidade na Igreja Hoje, Sob a Ótica das Escrituras / 4º Encontro de reflexão Teológica, 2008, p.11.


5. Lopes, Augustus Nicodemus – O que estão fazendo com a Igreja: Ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro / São Paulo: Mundo Cristão, 2008. pp.27-28, 158, 161.


6. MacArthur, Jr. – Com Vergonha do Evangelho/ Editora Fiel – São José dos Campos/ São Paulo, 2004. pp. 6, 8, 17, 35.


7. O Novo dicionário da Bíblia / editor organizador J. D. Douglas; Editores assistentes F. F. Bruce... [et AL.]; editor da edição em português Russell P. Shedd; tradução João Bentes, – 3. ed. ver. – São Paulo: Vida Nova, 2006, p. 957.


8. Soares, Ezequias – Heresias e Modismos, combatendo os erros doutrinários / Lições Bíblicas / Jovens e Adultos, 2º trimestre de 2006, CPAD, P.73, 75.